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7.6.09

20 anos 100 Leminski

.surrupiei.
.20 anos 100 Leminski.
.www.elsonfroes.com.br/kamiquase/nindex.htm.

"Haja hoje para tanto ontem."
"Como se pode presumir, não se pode pressupor."
"Eu faço poesia como a aranha faz sua teia. Não tem por quê. Estou além do por quê. A minha poesia, para mim, é uma atividade intransitiva."
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vão é tudo
que não for prazer
repartido prazer
entre parceiros

vãs
todas as coisas que vão
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deus
___algum
_______indu
__________ogum
______________vishnu
precisa
_______da tua prece

tua pressa
_______pessoa
só teu pulso
___________acelera

você padece
padecer
_______te resta

tudo
___um belo dia
___________desaparece
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um arco em forma de A
uma flecha em forma de B
um alvo em forma de C
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undergroundblitzkrieg
o close-up do souvenir
o ersatz do harakiri
o marketing de pindorama
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tai-otoshi para a kokodan

passos lentos
escrevem
VONTADE DE CHEGAR

precisa andar
como quem já chegou

chega de chegar

depressa
é muito devagar
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isso___ ?
aqui___?
_____?
assim__?
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o barro
toma a forma
que você quiser

você nem sabe
estar fazendo apenas
o que o barro quer
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parem
eu confesso
sou poeta

cada manhã que nasce
me nasce
uma flor na face
parem
eu confesso
sou poeta

só meu amor é meu deus
eu sou o seu profeta
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eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro de meu centro
este poema me olha
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eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
eu não lhe dei ouvidos

quem sou eu pra falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus
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Marginal é quem escreve à margem,
deixando branca a página
para que a paisagem passe
e deixe claro tudo à sua passagem.

Marginal, escrever na entrelinha,
sem nunca saber direito
quem veio primeiro,
o ovo ou a galinha.

27.4.09

.cincoente.oito. .salvarte.

.oteart. .surrupiei.
.Marcelo Rubens Paiva. .a arte salva.
.Domingos Oliveira.
.salvarte.

CARTA ABERTA AOS ARTISTAS DE VERDADE OU OS OPERÁRIOS DA CATEDRAL

Se você tem certeza que é um artista de verdade, que sua razão de ser é a Arte, que sem a Arte você morreria, leia isso: É um chamado, uma convocação. Pouca gente sabe o que é a Arte. E, no poder, quase ninguém. Por isso acontecem absurdos como essa badaladíssima discussão. Juca Ferreira versus Lei Rouanet. E a coisa da OS (Organizações Sociais). São movimentos atuais que em resumo consistem em entregar o dinheiro disponível para a Cultura, através de várias Leis e processos, para o Governo. Aumentar o Poder do Governo, confiando em seus critérios para julgar. De que modo deve ser usado o dinheiro público (isenção de impostos ou outras coisas).. É claro que os destinos do cinema e teatro brasileiros não devem continuar sendo regidos por diretores de departamentos de marketing (embora eles tenham se comportado, até hoje, razoavelmente bem). Como este ponto é indubitável, J Ferreira ganha sempre as discussões, posto que está com a razão. O dinheiro público deve ter a tutela do governo, para que possa ser aplicado no bem comum. E nesse tipo de teoria, perdemo-nos todos em reuniões infindavelmente monótonas e vazias de conteúdo. Claro que o dinheiro da Arte e da Cultura deve ser comandado pelo Governo. A propósito, deve ser dito que já é. Posto que os maiores patrocinadores são estatais (Petrobrás e outras). Não é importante saber se o dinheiro fica com o Juca Ferreira ou com a Petrobrás. O importante é saber o que eles vão fazer com isso. E eis que chega a pergunta que ninguém faz, por falta de coragem:
- Que tipo de filme ou peça o ministro JF acha que deve ser produzido? Quem vai levar o dinheiro? É isso que interessa. O ministro imediatamente argumentará que essa decisão não é dele, e sim das comissões que constituirá. Será uma inverdade quando ele disser isso. Perigosa inverdade. As comissões são controladas por quem as nomeia. Sendo sempre altamente manipuláveis. De modo que é preciso saber qual é o gosto pessoal do Juca. Que concepção ele tem da Arte e da Cultura. Observemos que começa aqui a fatal confusão. A Arte faz parte da Cultura, mas não é a Cultura. É maior e mais importante que a Cultura, ou pelo menos pertence a outro departamento. Cultura é Educação. É uma coisa que se preocupa, que aprende, que bebe na fonte do passado. A Arte é a locomotiva da Cultura. É o arauto que anuncia o futuro. A Arte diz respeito àquilo que não existia ainda, e está sendo criado. A Arte defende a humanidade.
Quando escrevo essas palavras estranhas, pressinto a incompreensão. São transcendentes, confesso. A Arte é transcendente. É a mais forte arma de comunicação, recurso didático para tornar os homens civilizados. A Arte ensina aos homens seus maiores valores. O amor, a dignidade, a honra, o patriotismo, a cidadania, a solidariedade. Por causa deste nobre alcance, a Arte jamais é citada em debates públicos. A massa burguesa da maioria encarregou-se nos últimos séculos a desmoralizar a palavra Arte. Segundo estes tolos, a Arte é uma coisa desnecessária, fútil, em geral exercida por gente que não gosta de trabalhar. Quando, na verdade, a Arte é o único trabalho verdadeiro. Se você não entende essas palavras ou se elas irritam, pare de ler esse artigo já. Ele não é pra você. Você pode ser um bom sujeito e até um pensador lúcido, mas não é um artista.
Juca Ferreira é um homem forte. De um carisma notável, eloqüência, e, por que não dizê-lo, simpatia irresistível. É preciso saber de um homem desses o que ele entende por Arte.
Repito. Que filmes e peças deveriam ser feitos com o dinheiro público, segundo a opinião pessoal dele?
Para exigir a resposta dessa pergunta, convoco meus pares, os artistas, a repercutir esse artigo. Faz anos que preconizo a existência de um Ministério da Arte. Todos tem medo de mim e preferem me achar ridículo, pensar que estou brincando. Não estou. Penso que a Arte é o que sustenta a Cultura, o que a leva para frente. Não existiria o cinema e o teatro brasileiro sem Glauber Rocha e Nelson Rodrigues. É o artista que tem que ser protegido pelos governos.Não pensem que puxo a sardinha. Os bons artistas, como eu e muitos, sobreviverão de qualquer jeito. Com Ministério ou sem, não importa as reuniões de Juca Ferreira.
É a Arte que vai abrir os mercados internacionais. É a Arte que nos dará o respeito do público. A Arte é o retrato do país. Um país pobre como o nosso não pode gastar dinheiro público com filmes e peças ruins. Somente devem ser feitos peças e filmes bons! E quem vai decidir o que é bom ou ruim, pergunta o leigo incauto. Ele responde: Isto não pode ser posto em Lei, é subjetivo. Engano fatal. O único que pode julgar a arte é o artista. E não é difícil reconhecer um artista, a primeira vista. É aquele que ama realmente a humanidade e constrói uma obra sobre esse amor.
Atualmente, a palavra “diversidade” sacralizou-se. Quem duvidar disso, morre. Concordo com a diversidade. Mas ela está abaixo do critério da Arte.
Todas as comissões propostas são mistas: minoria dos artistas, maioria de burocratas ou técnicos interessados no assunto ou no prestígio. Isto está errado. Os verdadeiros artistas devem ter a maioria de qualquer comissão, porque somente eles entendem o que é a Arte. É pretensão de outros querer julgar a atividade artística.
Enfim, as palavras cansam.
Sei que somente serei entendido pelos artistas de verdade. Para eles que escrevo e peço que não me deixem sozinho e repercutam, a seu modo, esse meu artigo. Tenho certeza que vocês concordarão, sendo artistas verdadeiros.
Na prática, confesso que sou a favor do Juca e das OSs. Um homem deve lutar pela Lei correta. E depois lutar, mais agressivamente ainda, contra aqueles que aplicam mal a Lei. Essa é uma briga que vem depois. Apesar de que eu, artista, não tenho tempo pra isso. Minha obra me espera. Tenho pouco tempo. A eternidade seria pouco...
Somente a Arte salva, sem a Arte não há salvação.
“Oh, minha alma! Não aspira a vida imortal, porém esgota o campo do possível” (Píndaro)
Por favor, repercutam, companheiros.

Com todo respeito ao ministro, e até confiança,
Domingos Oliveira.

---

Não assino em baixo de tudo. Mas concordo com respeito ao respeito à Arte. Não apoio necessariamente Juca Ferreira. Nem ninguém. Mas acredito que é a este que devemos recorrer, visto seu posto. Também não acredito que quem lê esta carta é obrigatoriamente um artista. Nem quem não a leia não o seja. Acredito que quem tem esta chama acesa, esta ideia e ideal, sendo da arte ou não, é um artista. Da vida. E não necessariamente precisa concordar.
Sei também que não precisamos nos "salvar", mas dar condições de vida com a arte. Como e quais? Quem tiver A resposta, por favor: luisfseixas@gmail.com!

Com todo respeito aos artistas de verdade.

PS: leia (aqui) a Carta Aberta ao Presidente Lula e ao Ministro da Cultura Juca Ferreira e (aqui) a Carta Aberta ao Ministério da Cultura na ocupação da Funarte pelo Movimento 27 de Março, exigindo um diálogo democrático e honesto e explicando que o FNC (Fundo Nacional de Cultura) não é um programa de incentivo (Lei Rouanet), mas um "instrumento contábil para a ação dos governos".

23.1.09

.cuarente.cuatro. .se...

.surrupiei.
.traduz: Guilherme de Almeida.
.sê.


Se...
Rudyard Kipling

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para estes no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperer sem te desesperares,
Tu, enganado, não mentir ao mentiroso,
Tu, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretencioso;

e és capaz de pensar - sem que a isso só te atires;
De sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores;
Se encontrando a Derrota e o Triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

e és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a Vontade em ti que ainda ordena: "Persiste";

e és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
E, entre Reis, não perder a naturalidade,
E de amigo, quer bons, quer maus, te defenderes;
Se a todos podes ser de alguma utilidade.
E és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo valor e brilho,
Tua é a Terra co tudo o que existe no mundo,
E - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!

27.2.08

.cuarenta. .coro de cor.

.diadia. .surrupiei.
.me.do.dó.i.
.jesus chorou.mano brown.
.r.aciona.l

Coro de Cor

Eu detesto chorar.
Adoro chorinho. Admiro um chorão.
Mas nada é pior que estar com alguém nesta situação.

Não vou negar que choro sozinho.
Me arrependo quando não.
Arrepio ruim de ver alguém sofrendo sem razão.

"O que é, o que é? Clara e salgada
Cabe em um olho e pesa uma tonelada
Tem sabor de mar, pode ser discreta
Inquilina da dor, morada predileta
Na calada ela vem, refém da vingança
Irmã do desespero, rival da esperança
Pode ser causada por vermes e mundanas
Ou pelo espinho da flor cruel que você ama"

"e eu que me julguei forte, eu que me senti
Serei um fraco quando outras delas vir
Se o barato é louco e o processo é lento
Deixa eu caminhar contra o vento"

"Diz que homem não chora? Tá bom, falou...
Não vai pra grupo¹, irmão..."
¹= "não se engane".

Sossego no silêncio, no escuro do travesseiro.
E só. Pra mim, mó pesadelo.
Não fito e nem entendo. Fico trêmulo.
Dói. Não lido. Desespero.
Desintegro-me inteiro. Assombro verdadeiro.
Tenho medo. Melhor é esquecê-lo.
Dá nó. Desenrolo o novelo.
Não consigo, mas percebo. Não adianta, eu não agüento.
Tô só. Caos intenso. Repenso.
Mesmo cabreiro, não o dispenso.
Tô tenso. O cigarro é meu parceiro.
Inferno de momento e não sei resolvê-lo.

"Porra, vagabundo, ó, vou te falar
Eita mundo bom de acabar..."

"Num entende o que eu sou, não entende o que eu faço
não entende a dor e as lágrimas do palhaço
Mundo em decomposição por um triz
Transforma um irmão meu num verme infeliz
E a minha mãe diz: '(...)
Olha o tanto que eu sofri, o que eu sou, o que eu fui
A inveja mata um, tem muita gente ruim'"

"Dinheiro é bom, quero sim, se essa é a pergunta,
mas dona Ana fez de mim um homem e não uma puta"

"Cadê o meu sorriso? Onde tá? É, quem roubou?
Humanidade é má..."

Sossego no silêncio.
Pra mim, mó pesadelo.
Tenho medo. Caos intenso.
O cigarro é meu parceiro.

"Chuva cai lá fora e aumenta o ritmo
Sozinho eu sou agora o meu inimigo íntimo
Lembranças más vêm, pensamento bom vai
Me ajude, sozinho penso merda pá carái
Gente que acredito, gosto e admiro
Brigava por justiça e paz, levou tiro"

"Zé povinho é cão, têm esses defeitos
Cê tendo ou não, cresce ozóio de qualquer jeito"

"Lágrimas...
Molha a medalha de um vencedor
Chora agora, ri depois..."

.trinte.nove. coraçãocabeça.

.surrupiei.
.ao.gosto.

coraçãocabeça
Augusto de Campos


clika

19.2.08

.trinte.oito. .infinito particular.

.surrupiei.
.enfim.isto.

Infinito Particular
Marisa Monte

Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta-bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

14.8.07

.vinte.nove. .isto.

.surrupiei.
.poema.

Isto
Fernando Pessoa

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

31.1.07

.sete.

.surrupiei.
.marchinha.

Aprendizes da Canção
Kolombolo e Cordão Estação Aprendiz

Este é o Cordão
A Estação da multidão
Somos todos diferentes
Aprendizes da canção

Todas as cores da vila
Todo mundo misturado
Vermelho do amor
Branco da paz
Quem passa fica encantado

2x
Ser igual é diferente
de ser parecido
Queria ser você, mas não consigo